
11/05/2011
Movimento pró-Carajás diz basear-se em números
A aprovação, pelo Congresso Nacional, do plebiscito para a criação dos estados de Carajás e Tapajós traz à tona novamente a discussão sobre a divisão do Pará e reacende o debate entre os que são a favor da criação das duas novas unidades federativas e os contrários à partição do território paraense em três.
Os contrários argumentam que a criação de novos estados gera elevados custos para a União, já que as novas duas unidades teriam de contar com recursos federais para manter suas máquinas administrativas.
De acordo com o economista Rogério Boueri, do Ipea, o Estado de Carajás, com seus 39 municípios, 1,4 milhão de habitantes e uma área que representa 25% do território paraense, custaria ao erário da União R$ 2,2 bilhões ao ano.
Já o chefe da Casa Civil do Governo do Pará, Zenaldo Coutinho, que também é contrário à divisão, questiona sobre "quem pagará a implantação do Estado? Como ficarão os servidores públicos estaduais?".
Entretanto, estudos de viabilidade econômica do Carajás apontam o contrário. De acordo com o livro "Assimetrias Regionais no Brasil – Fundamentos para a Criação do Estado de Carajás", de autoria do consultor Célio Costa, mostra que, logo de saída, que com o novo estado, a região beneficiada em nada prejudicaria, por exemplo, o PIB do Pará remanescente.
De acordo com estudos baseados em dados do IBGE e Banco Central, o PIB do Pará seria de R$ 35.095.414.000,00 e o do Carajás seriam de 14.411.730.000,00 – dados de 2007. Enquanto o ICMS do Pará ficaria em 3.006.746.000,00 e o do novo Estado, 1.175.347.000,00.
Já contra o argumento de que os 39 municípios que desejam se emancipar representam a parte mais rica do Pará e que isso inviabilizaria de certa forma a economia do Estado, o professor Célio Costa afirma que em momento algum a criação de uma nova unidade federativa resulta numa barreira física entre este e o Estado remanescente.
"Permanecerão abertas suas fronteiras geográficas e econômicas e um vasto mercado de investimentos e serviços para as empresas paraenses e amplas oportunidades de empregabilidade para a população dos dois estados", afirma o consultor.
Ele mostra com úmeros que o impacto da criação de Carajás sobre o Pará é muito menor do que propagam os que são contra o desenvolvimento do sul e sudeste paraenses pela emancipação político administrativa.
De acordo com o que levantou Célio Costa, o Pará, que é o segundo Estado brasileiro em área territorial, com 1.247.689 quilômetros quadrados (km²), continuaria na mesma posição, com 951.029 km², pois cederia ao novo Estado apenas 296.660 km².
Ainda baseado em dados de 2007 colhidos nos mapas do IBGE, o consultor Célio Costa, em seu livro, mostra que o Novo Pará, como ele chama o estado remanescente, tratando- se atividade econômica, continuaria privilegiado com R$ 2.273.429.000,00 oriundos do setor agropecuário, contra R$ 1.530.751.000,00 de Carajás; R$ 7.274.750.000, da área industrial, enquanto Carajás, 6.505.079.000,00; e R$ 21.456.100.000,00 do setor de serviços, contra R$ 5.420.364.000,00 de Carajás.
Quanto à geração de gastos para a União, esse também é um argumento frágil, pois Carajás já nasce com economia forte: está entre os dez maiores produtores nacionais de: banana, com 235.285 toneladas/ano; abacaxi, 221.725 mil toneladas/ano; e goiaba, 11.946 toneladas/ano.
Ademais, o governo do Pará ficaria desonerado do custeio e dos investimentos na área de Carajás, com sistemas viários, rede de energia, equipamentos sociais urbanos para combater o déficit social acumulado, educação, saneamento e segurança pública.
Extraído do site: www.ctonline.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário